segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES / CHOQUE DE IGNORÂNCIAS...

E ( OU ) IRREDUTIBILIDADES EPISTEMOLÓGICAS?

Socorro - me  das palavras do Director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Lisboa, prof. António Dias Farinha, que pontua o título deste post, na reformulação de um equívoco que os MÉRDIA, na sua redutora singeleza interpretativa costuma sintetizar, em soundbites e conceptualizações titulares de primeira página, as complexidades dos acontecimentos históricos que têm marcado a primeira década do século XXI.

Tenho por mim, e antes de dar uma vista de olhos à entrevista, que o Prof. Farinha deu à " Revista " do último Expresso, cujo titulo me provocou uma instintiva reverberação reflexiva sobre um tema sobre a qual sempre me suscitou dúvidas, pelas abordagens simplistas com que era abordado, que o chamado Choque de Civilizações, enformava de uma incorrecção conceptual, que só por um abuso da linguagem se poderia encarar.

É que, de facto, a ter havido choque de civilizações ele terá ocorrido em todos os encontros imediatos que da Antiguidade às (re)Descobertas protagonizadas pela Ibéria, nomeadamente por Portugal, que pelas armas ou pelo comércio, pontuaram a revelação das idiossincracias das nações contactadas.
Chamar choque de Civilizações ao que se constituía como ignorância mútua, em revelação, é no mínimo uma hipérbole rocambolesca dada a facilidade com que a colonização do mundo se propagava através da expropriação e de domínio. Antes, com o domínio árabe, o Choque colonizador enfrentou um outro fundamentalismo, que victorioso, governou o espaço europeu durante a Idade - Média. O último Choque de Civilizações acaba com a derrota do Império Otomano e a sua laicização. O mundo redefiniu - se no conhecimento do Outro e sobreveio a bonança.
Outras voltas deu a Terra, enquanto as Civilizações se sedimentavam num devir histórico que das suas origens, incontornáveis, reatavam a sua História; uns mais lentos, outros em passo acelerado. 
O regresso pós - colonial aos paradigmas identitários não poderia de per si constituir uma regressão civilizacional se não estivesse políticamente enquadrado em algumas paragens, como no Médio - Oriente, por contrabandos ideológicos que da Crença retira um determinismo malévolo de e no recrutamento jihadista. Em nome da Pátria também se conseguiu a benevolência generosa da sua geração mais nova.
Hoje não há, portanto, Choque de Civilizações, o que há é uma luta política de PODER onde a religião surge como uma camuflagem para a mobilização e o TERROR, titerizado e manipulado, como uma frente encapotada de interesses dos poderes fácticos. Toda a gente sabe onde se alojam e toda a gente sabe ou deveria saber que o DAESH ainda só existe porque assim o querem.

( prometo continuar... )